segunda-feira, 22 de abril de 2013

poema

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, 
e o que nos ficou não chega
 
para afastar o frio de quatro paredes.
 
Gastámos tudo menos o silêncio.
 
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
 
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
 
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
 
em esperas inúteis.
 

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. 
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; 
era como se todas as coisas fossem minhas: 
quanto mais te dava mais tinha para te dar. 

(...)

Já gastámos as palavras. 
Quando agora digo: meu amor
já se não passa absolutamente nada. 
E no entanto, antes das palavras gastas, 
tenho a certeza 
que todas as coisas estremeciam 
só de murmurar o teu nome 
no silêncio do meu coração. 

Não temos já nada para dar. 
Dentro de ti 
não há nada que me peça água. 
O passado é inútil como um trapo. 
E já te disse: as palavras estão gastas. 

Eugénio de Andrade
(decidi partilhar apenas uma parte deste poema, a parte que mais gostei)

16 comentários:

isabel * disse...

Adoro este poema ! Está lá tudo dito!

isabel * disse...

Adoro este poema ! Está lá tudo dito!

Annie Rose disse...

Gosto muito desse poema :)

Bolacha de Chocolate disse...

r: dissemos todas que não, excepto uma que disse 'isso agr'.

A disse...

Gostei :)

Bolacha de Chocolate disse...

r: todos.

Inês disse...

vai ficar tudo bem, assim espero. obrigada pela força. não te preocupes.
assim que puder, venho ler-te.

f taveira disse...

Não costumo separar-me de roupa e muito possivelmente ninguém a irá comprar, mas não custa tentar, (:

Annie Rose disse...

O meu vício ainda se prolongou, mas felizmente já parou! Mas devo confessar que de vez em quando dou uma vistinha de olhos em algumas x)

Lani disse...

Adoro! *

Catarina disse...

adorei o poema.
r: sinceramente não sei o que pensar...

Marlene Quintas disse...

gostei do poema.
r: espero q sim, e em breve se possivel

B! disse...

é mesmo lindo o poema!

Catarina disse...

R: sim, continua...

Catarina disse...

R: sim, continua...

Catarina disse...

R: sim, continua...